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O maior mito urbano-futebolístico do scouting por resolver: quem descobriu Hulk?

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O maior mito urbano-futebolístico do scouting por resolver: quem descobriu Hulk?

O espectáculo da compra e venda de jogadores tem diferentes velocidades e efeitos. Como o futebol é essencialmente, nesta fase da época sem bola, uma fábrica de ilusões, o horizonte está repleto de tentações menores. Basta o simples condão da novidade para causar esse efeito nos adeptos.

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É o maior mito urbano-futebolístico do scouting por resolver: quem descobriu Hulk? Já ouvi várias versões que a lenda popular dos empresários e scoutings fantásticos já puseram a correr. Naquela altura o FC Porto gastar tanto dinheiro num jogador saído dos confins da II divisão japonesa intrigou mais do que surpreendeu. Primeiro, menorizou-se a aposta e o nome engraçado. Depois, bastaram uns arranques nos primeiros jogos de preparação, para se questionar mas que jogador está ali? A conclusão final é indiscutível e teve, esta semana, bênção presidencial ao dissertar sobre possíveis saídas: olhe, insubstituível só há um: o Hulk!

Não sei se o DVD que descobriu Hulk tinha 3 ou 30 minutos, mas a repetição de semelhante descoberta tornou-se hoje no grande sonho de todos os clubes na hora de vasculhar os bosques e florestas do mercado mais profundo. Penso sobretudo nos três grandes do nosso futebol. Raramente todos os nomes saídos daquelas tentações menores, cada vez mais numerosas e caras, levam muito longe. Em geral, tudo consiste em dispensar jogadores de nível médio para comprar outros de… nível médio. Até acertar. Até lá, demasiada confusão para acabar no mesmo sítio onde estavam. O importante é o craque! A grande tentação.
 
Benfica, Sporting e FC Porto têm, neste defeso, cedido a muitas tentações. Não digo que todas os levem ao mesmo sítio. Há casos que, mesmo sem o efeito sísmico de Hulk, penso poderem ser até o que a equipa necessitava. Não são o tal craque aglutinador de pressão e sonho, mas têm valor para marcarem a diferença. Bojinov no Sporting, Witsel no Benfica e Alex Sandro no FC Porto são bons exemplos. A dúvida, agora, é saber como os treinadores vão encaixá-los na equipa. O embrião da pré-época revela que no Sporting, olhando também a entrada de Wolfswinkel, é necessário Domingos montar um programa táctico diferente do que fazia no passado. É o regresso (sem losango) do Sporting ao 4x4x2 numa versão semelhante, no desenho inicial, ao de Jesus no Benfica, onde tenho mais dificuldade em detectar uma linha clara de pensamento sobre o que o treinador busca para a equipa. As experiências têm, para já, comido a construção sólida de um onze e sua ideia de jogo. Para já, jogadores demasiado parecidos nas dúvidas sobre onde podem jogar na disciplina táctica: Bruno César e Witsel, principalmente (médios ofensivos-segundos avançados, mas vagabundos, embora o belga, jogador de carácter e qualidade insofismável, muito mais culto tacticamente). No FC Poro, quando se esperava mais um lateral-direito para casa do patinho feio do onze, Sapunaru, surge um lateral-esquerdo que muitas vezes é médio-ala, Alex Sandro. Uma contratação que poderá ter transfer para outras operações numa posição onde o Palito Pereira está cada vez mais cotado internacionalmente.
 
Entretanto, Hulk continua a preparar os seus terramotos particulares. Ameaça séria. Por si só, tem o condão de aumentar a auto-estima de todos que o rodeiam (direcção, adeptos, treinadores e restantes jogadores), atemoriza adversários e, quando aparece, torna o ecrã de TV num objecto hipnotizante. Ou seja, para além de vender camisolas, o craque fascina porque…ganha jogos!
 
 
Mercado “clássico”

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É o outro clássico do mercado de transferências: um jogador no centro da disputa entre dois clubes. Benfica e FC Porto, claro. O nome que surge desta vez nesse limbo é de um médio-garoto brasileiro, 19 anos: Danilo. Primeira impressão saída de o ver jogar muitas vezes: vale o esforço e o combate. Danilo é um protótipo em acelerado processo de crescimento do jogador (sobretudo médios) que futebol moderno consagrou. Aquele que faz muitas coisas diferentes num jogo. Nem estou a falar da questão da polivalência, (já o vi a lateral-direito, tenho-o visto como médio-centro de transição). Estou a falar da qualidade com que ocupa esse diferentes espaços e executa missões que lhe são entregues. Forte fisicamente, raça a defender, destemido a atacar (caindo muito bem na ala) e até rematando.

O combate-Danilo é, porém, mais do que um simples nome e jogador. É o reacender de outras lutas semelhantes entre Benfica e FC Porto que começando no trilho da Luz acabaram no Dragão. De Falcao e Pereira, até, nos idos anos 90, o caso de impacto mais forte, Jardel. A luta entre departamentos de scoutings (prospecção) dos diferentes clubes ainda é um tema por explorar. Ele é, porém, no auge do tempo do futebol dos empresários, um confronto à margem do relvado que é decisivo ganhar. E, nesta reflexão, volto ao início do texto principal. O mito Hulk: como descobrir o craque? Eis a grande questão. Porque quase sempre custa mais conseguir a adesão de milhões de pessoas do que ganhar um título.
 
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“As pessoas não gostam que se lhes queiram vender nada. Mas elas adoram comprar!”
Jeffrey Gitomer
 
O futebol, orgulhosamente lunático, é um bom espelho desta fase de um empresário e orador motivacional americano. Onde se lê pessoas, leia-se clubes. Sem dinheiro, compram o que não necessitam, em timings errados, inventando sonhos. A única forma para se fugir a esta crescente vulgarização de nomes relacionados com grandes clubes, é investindo num craque indiscutível, daqueles que absorva logo toda a pressão logo sobre si e, depois, no jogo e expectativas criadas, retire o maior peso da pedra da angústia ao resto da equipa. Ou seja, em torno do craque, espelhando-se e inspirando-se nele, tudo cresce. O nosso campeonato necessita, cada vez, de nomes que tenham este efeito hipnotizador para resgatar os interesses comerciais internacionais nela, mas, naturalmente, fazer esse investimento dispara o orçamento. Ou, talvez nem tanto. Basta resistir mais vezes a tantas tentações menores.
A formação que tantos falam como a superioridade moral de um clube em relação a outros, pode ser outra forma de conseguir este duplo-efeito: driblar tentações e descobrir craques. Nessa vertente, a frase que que lembro sempre, fantástica, vem da alvorada dos anos 80 e era do Flamengo, no início da saga de Zico. Craque o Flamengo faz em casa. Não compra, não vende, não troca. Perfeito.

P.S. três anos depois, Zico foi vendido para Itália
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